A pretendida identidade entre sujeito e objeto (talvez fosse mais exato escrever “coincidência”) resulta da atenção dedicada ao objeto pelo sujeito. Atenção nesse caso é amor. Amor incondicional – ou incondicionado, porque deve abrir mão de toda subjetividade. Desse amor decorre a compaixão – no sentido mais literal do termo.
A intuição, portanto, depende da qualidade da atenção que dedicamos às coisas. Ela não é uma qualidade superior e incomum, ou um dom especial, mas um poder encoberto pelo egoísmo e o utilitarismo.
A intuição demanda então um esforço amoroso em direção às coisas.
É necessário por isso não ter em relação ao objeto nenhuma intenção a priori, nenhuma expectativa subjetiva.
Exatamente porque coincide com o objeto, a intuição é íntima das palavras, mas avessa aos conceitos.
A intuição é uma tautologia (no sentido formal): ela diz que algo é o que é.
Por isso a linguagem comum, útil para identificar as coisas, é falha ao descrevê-las. Só a linguagem analógica, metafórica é capaz de fazê-lo.
Ao traçar conexões entre objetos aparentemente díspares, a linguagem analógica (ou intuitiva) ressalta, ao mesmo tempo: 1) o caráter singular de cada coisas 2) a essência relacional que a define como ser, a relação misteriosa que une todas as coisas.
A linguagem intuitiva (ou poética) restabelece o Mistério e a Beleza.