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Movimento e vida

Pensar o infinito como simultâneo e o finito como sucessivo é a chave para o salto que será dado por Descartes ao perceber que a ideia de infinito não pode me vir nem pela experiência de um mundo finito nem tampouco por oposição ao finito. Bom matemático, Descartes sabe que o infinito não é meramente o oposto do finito, mas outro grau de ser.

Essa incompreensão do conceito de infinito talvez seja o grande problema do pensamento de Aristóteles.

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Outra questão que me ocorre é se seria possível ir mais além de meramente relacionar os pares matéria e forma potência e ato, tornando-os simétricos e inseparáveis.

Não seria o caso dar um passo a mais e admitir que o conceito de ato/ potência torna redundante o conceito de matéria/ forma?

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Ato/potência quer dar conta do movimento e da mudança, e soluciona de forma brilhante a questão aparentemente paradoxal do Não-Ser.

Mas havia um passo impossível para Aristóteles: mudança e movimento era entendidos pelo espírito do tempo como um “defeito”, uma propriedade de seres e esferas “impuras”, com a matéria, o mundo sensível e as criaturas finitas. A imutabilidade e a imobilidade, por óbvio, eram entendidas como qualidades superiores.

É esse culto à imobilidade, a imutabilidade que parece estar por trás da ideia de coisa em si de Kant – já a seu tempo questionável pelos avanços da física e da metafísica.

Nesse sentido, Kant é um retrocesso. A pretendida – e autoproclamada – revolução copernicana de Kant é, na verdade, anticopernicana. Mais do que conservadora, sua revolução é reacionária. Voltamos a um mondo de coisas estáticas, quando, ao contrário, a luz e o movimento já eram os protagonistas da filosofia moderna.

Por outro lado, desde sempre, sob um olhar intuitivo, ou como preferem alguns, sob o olhar do senso comum – movimento é vida.

Kant essencialmente desconfia da vida.

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