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Dos reencontros

Não cometamos o gravíssimo pecado
de atentar contra a única virtude do passado
– que é ter passado.

Contentemo-nos com o presente –
que não é tempo, mas lugar:
o presente é o corpo
e nele está o amor
que nunca há de nos abandonar.

E falemos do futuro,
esse outro nome da esperança,
que não nos pode trair.

Não tenha pressa.
Até dos encontros podemos prescindir.
Nossa sina traçou-se na hora incerta
quando de todos só nós dois restáramos.
E tanto desse nós ficou em você e em mim
que podemos repousar num silêncio muito nosso,
refúgio do sono com seus sonhos,
sempre mais fiéis que as lembranças
(que às vezes são como traças
a roer a fina seda que tecemos).

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