A fumaça dança,
sem sentido nem propósito, e lenta
se esvai e permanece
um doce perfume de tabaco.
Assim também o tempo é:
o presente passa
e ao passar se adensa e se esgota,
inefável e uno sempre,
sempre presente.
Todo aqui e agora sou todo tempo que fui
e sigo com o tempo que carrego comigo
desde o útero até o último suspiro
ou arfar até o último grito.
Pobre Heráclito,
atravessarás sempre o mesmo rio,
incessante e plástico,
vivo,
sem começo, sem fim,
como tudo mais.