
Ela que tanto trabalhara tinha agora mãos delicadas de bebê. Inefáveis mãos de nuvem (onde eu mesmo me sentia como fora antes de mim quando um só com ela): ela agora tinha as mãos do bebê que eu fora.
Ah, o tempo e suas dobras: “veludo escondido na pele enrugada” – verso/equação que traduz a exata dimensão de algo tão imponderável e vasto como o sentimento/sensação que une mãe e filho.
Tua mão – ao toque, nuvem; contra o tempo, pedra.
Quisera fosse nunca, quisera fosse sempre; mas o tempo não espera, breve. Eu/tu ainda segue o secreto destino que traçamos e que na pedra se espelha..
Para sempre
Carlos Drummond de Andrade
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Ficou lindo ! Lindo começar o meu dia oriental com um toque de mãe (ainda que distante)
É engraçado imaginar que pra vc o dia está começando…
Que coisa mais linda ♥️