Skip to content

Da felicidade

Alcancei a felicidade – a minha felicidade – feita de renúncia, aceitação, espera. Sim, regateei, trapaceei, bobeei, negaceei, encarei, errei, corri – sempre sem muita ginga. Mas cheguei aqui (por caminhos imprevistos) onde me descubro querendo estar desde sempre sem saber.

Se houver Além e lá encontrar Fernando Pessoa, quero abraçá-lo menos pelos versos, e mais por ter suportado ser Fernando Pessoa para escrevê-los. Sei bem do que se trata:

“Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.”

Terá sido mais fácil ser Drummond?

Não, mas os versos deles me consolaram: “você não está só na sua solidão sem remédio”. E assim fomos indo até aqui, até esta tarde mansa de outono, friinha e cinza, silenciosa – “mais vasto é meu coração” (que hoje, enfim, cabe me mim).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *