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Gatas, plantas e lâmpadas

“Regar plantas.
Trocar lâmpadas.”
Quase rima, poesia involuntária de afazeres triviais.

Escrevi muito – mas sem a ênfase de me levar a sério:
faltou amar-me com alguma amargura –
ou odiei-me com ternura?
Exagero…
Não fiz drama da vida que me levava,
eu, sem jeito de domá-la.
Delicado e tímido,
embriaguei-me para parecer viril.
Um vexame.
E quando sóbrio, em vez de sociável, fui servil.
De novo, exagero…

Enfim, envelheci: agora sou sozinho.
E sozinho é como sou melhor –
Aos meus olhos, ao menos
e aos das minhas gatas e plantas.
Preciso regá-las
E trocar as lâmpadas.

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