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Da elegante obstinação dos gatos

O silêncio é mais denso, mais rico, mais lento.
As palavras devem por isso ser inscritas na pedra,
como mandamentos ditados por Deus.

Mova-se devagar, com o corpo todo sempre.
O corpo, esse mistério que Deus consagrou ao habitá-lo.

Não tenha pressa: a eternidade já está aí,
ao alcance das mãos, sabem disso os gatos.

Insista, mas com a elegante obstinação dos gatos.
Os gatos são feitos de silêncio,
pedra líquida,
mercuriais.

Esgueire-se em passos de nuvem.
Delicadamente,
para que não tomem por fuga o que deve ser só cuidado e prudência.
O mundo é cristal, é louça, é renda.
É por um triz.

O mundo: tudo isso e você também – você também.
Portanto, não julgue. Abrace ou afaste-se.
A casa do Pai tem muitas moradas – e tua alma também.

A alma, do corpo indistinguível: corpalma.
Também sabem disso os gatos,
um saber que não é cálculo, mas modo de vida.

Viva.

4 Comments

  1. Rosalee

    Amei o poema!

  2. Felipe

    Muito bom!

    Por vezes fico os observando pra ver se aprendo alguma coisa sobre como aproveitar a vida!
    Aqui o ensinamento foi posto em palavras!

    Gostei de ler!

  3. antonio

    Obrigado, Felipe!

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