O silêncio é mais denso, mais rico, mais lento.
As palavras devem por isso ser inscritas na pedra,
como mandamentos ditados por Deus.
Mova-se devagar, com o corpo todo sempre.
O corpo, esse mistério que Deus consagrou ao habitá-lo.
Não tenha pressa: a eternidade já está aí,
ao alcance das mãos, sabem disso os gatos.
Insista, mas com a elegante obstinação dos gatos.
Os gatos são feitos de silêncio,
pedra líquida,
mercuriais.
Esgueire-se em passos de nuvem.
Delicadamente,
para que não tomem por fuga o que deve ser só cuidado e prudência.
O mundo é cristal, é louça, é renda.
É por um triz.
O mundo: tudo isso e você também – você também.
Portanto, não julgue. Abrace ou afaste-se.
A casa do Pai tem muitas moradas – e tua alma também.
A alma, do corpo indistinguível: corpalma.
Também sabem disso os gatos,
um saber que não é cálculo, mas modo de vida.
Viva.
Amei o poema!
Confesso que eu também!
Muito bom!
Por vezes fico os observando pra ver se aprendo alguma coisa sobre como aproveitar a vida!
Aqui o ensinamento foi posto em palavras!
Gostei de ler!
Obrigado, Felipe!