Skip to content

Saulo, Saulo

“Saulo levantou-se do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então pegaram nele pela mão e levaram-no para Damasco. Saulo ficou três dias sem poder ver. E não comeu nem bebeu.”

Li e fiquei pensando quantos não estão hoje internados como loucos porque viram a Deus e caíram nesse mesmo estado de estupor? Deus fala aos seus e até apareceria mais se suportássemos. Por isso ele nos sussurra. É preciso apurar os ouvidos e deixa-Lo vir aos poucos. Não espere iluminações, mas insights.

Vou lhe mostrar uma foto:

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é o_eleito02-225x300-1.jpg

Vinha eu pela rua, distraído, mas atento, elucubrante, e dei de cara com essa folha no chão entre tantas outras.

Trouxe-a para casa e ela finou-se como tudo. Não me ocorreu eternizá-la precariamente na moldura de um quadro, mas talvez ainda a tenha, seca, entre as páginas de um livro.

Essa a sutileza do divino: ele nos preenche do tamanho que ainda somos. Mais do que uma folha no chão no formato de seta eu sei que não suportaria.

Lembrei agora da advertência de Rilke em seu verso mais famoso: “Todo anjo é terrível”. São Gabriel quando vai falar à Maria é todo delicado. E é essa delicadeza por si só, aliás, merece uma crônica…

Mas até a delicadeza dedicada à Maria, me seria insuportável, presumo. Imagine o que será a voz de Deus ou de anjo?

Há uma história de São Bernardo que conversava com Jesus intimamente e um dia ouviu dele que, de todas as dores que sofreu na Paixão, a mais escruciante era no ombro, não lembro se direito ou esquerdo.

No nosso século cético, cientificista, niilista (graus de intensidade do mesmo não), a análise do Sudário mostrou não sei que lesão terrível nesse ombro…

É lindo isso do Sudário. Literalmente, pensando em nós, tão céticos, tão niilistas, tão “científicos” ele nos deixou uma foto dele. Uma foto! De corpo inteiro. Algo que só pôde ser descoberto depois da invenção da fotografia. Mas muitos nem assim se deixam tocar pelo mistério.

One Comment

  1. Dorila Alice

    Quando me chegou a crônica, já era domingo por aqui, o que foi perfeito. São essas sabedorias amorosas da providência divina, não é? Saulo sempre me comove, como teus escritos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *