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As eleições europeias e o voto distrital

Apesar de não ter postado nenhum texto, publiquei um vídeo no Canal do You Tube. Mais uma vez, o tema é a política. Achei oportuno porque quem acompanhou as eleições na França e na Inglaterra deve ter percebido que por lá o voto é distrital. E há muito tempo defendo que a adoção do voto distrital no Brasil seria uma verdadeira revolução politica pela via eleitoral, isto é, sem a necessidade de reformas políticas complexas. Porque a simples adoção do voto distrital implicaria necessariamente numa reestruturação partidária, além de significar um enorme barateamento das campanhas eleitorais, o que permitiria diminuir e muito o tal Fundo partidário – que não pára de crescer.

Por tudo isso, logo se intui que a adoção do voto distrital só viria depois de uma imensa pressão do eleitorado, algo da dimensão da campanha das Diretas Já. Um movimento que seria, por definição, suprapartidária e e supra-ideológico, isto é, do interesse comum de todos os eleitores independente de sua filiação política e ideológica.

Pra quem quiser se informar mais detalhadamente é só digitar em seu buscador preferido “como é o voto distrital”.


No vídeo, falo rapidamente sobre outra questão que também precisa ser corrigida – entre outras razões porque me parece ser um dos fundamentos da intensa polarização política que hoje divide o Brasil: o critério definidor do número de representantes por estado no Congresso.

Na democracia, o principio eleitoral básico é “cada cidadão, um voto” – consequência lógica do princípio mais geral “todos são iguais perante a lei”. No século 19, adotou-se critérios de proporcionalidade que feriam o princípio com a intenção aparentemente justa de corrigir distorções. A leitura deste artigo da Folha será esclarecedora.

O que acontece é que hoje nada mais justifica que se mantenha um piso e um teto de representantes por Estado de tal modo desproporcional que faz com que um deputado paulista represente 650 mil eleitores enquanto um deputado de Roraima represente 70 mil eleitores. Esta é uma das inúmeras matérias sobre o tema disponíveis na internet.

Por outro lado, é necessário muito menos votos para se eleger deputado em Roraima (37 mil votos) do que em São Paulo (312 mil votos), como mostra o cientista político Jairo Nicolau nesta matéria para O Globo.

Acredito que esse tema é relevante porque tenho a impressão que ele é, como disse acima, um dos fundamentos da polarização que hoje opõe Sul e Norte – até mais do que direita e esquerda ou lulistas e bolsonaristas.


Enfim, resolvi trazer esses dois temas porque acredito que discuti-los seria uma forma de escaparmos da polarização imbecilizante que nos reduziu a macacas de auditório de políticos.


Mas nem tudo é tristeza. Há também o cinema – e o Stremio e seus add-ons. Graças a eles pude rever um filme de que lembrava apenas de ter gostado muito: True Romance.

Eu o assisti em vídeo há 30 anos – mas só agora revendo-o me dei conta que o filme é absolutamente cult: o roteiro é de Tarantino (que o vendeu para financiar seu primeiro filme como diretor, Cães de Aluguel); o diretor é Tony Scott; e o time de atores é de cair o queixo: além dos protagonistas, Christian Slater e Patricia Arquete, aparecem em papéis mais ou menos curtos Val Kilmer, Gary Oldman, Samuel L. Jackson, Dennis Hopper, Christopher Walken, James Gandolfini, Brad Pitt, Chris Penn, Tom Sizemore e Saul Rubineck.

O filme tem o frescor inaugural (e quase inocente) de uma violência que depois se repetirá de maneira obsessiva e caricata em todos os filmes de Tarantino. O mesmo vale para as citações diretas e indiretas de outros filmes – e a presença permanente do próprio cinema na vida material e espiritual da América: a sala de cinema é a caverna de Platão americana.

Enfim, vale muito a pena tentar ver.

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