Vês? Ninguém reparou no lento naufrágio
Do que ainda ontem chamavas de amor
Somente a solidão – esse pendor –
Te multiplicava nos espelhos por contágio.
Acostuma-te à indiferença e à falta de valor.
Este mundo é uma espécie de estágio
Onde aquele que reclama ser mais frágil
Quer apenas barganhar com a própria dor.
Toma um fósforo. Acende essa parada.
O beijo, amigo, é véspera de nada.
A mão que afaga é mesma que te acena adeus.
E se outra boca pede os beijos teus
Ou se outra mão te afaga,
Aproveita, que no amor não há outra paga.