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Por que desconfiamos dos sentidos?

Na verdade, não desconfiamos.

Quem desconfia é uma abordagem pseudo filosófica, o idealismo genérico, que viveu seu auge quando a ciência era ainda menos que um projeto, foi até certo ponto emparedado primeiro pelo aristotelismo, e depois pelo cristianismo, e vegetou nos subterrâneos até finalmente alcançar um paradoxal renascimento justamente a partir da Reforma e do Iluminismo, quando a ciência começa a ganhar consistência e autonomia, e instalar-se, numa especie de rebelião reacionária, como antimetafísica e pretensa epistemologia dessa ciência nascente e ganhar, ela também uma relativa autonomia ao emular procedimentos científicos a partir de premissas contrassensuais. Pura ideologia, portanto.

Tentou-se assim espremer 1) a matemática, a lógica e a própria linguagem no na clausura; 2) a psicologia no calabouço espinozista; 3) e a história no hospício hegeliano.

Por que essas sandices encontraram seu caminho num ambiente intelectual que se pretendia emancipado pelo racionalismo de Descartes temperado pelo princípio da prudência de Hume?

Uma caminho interpretativo pode estar em em Voegelin, quando aponta as raízes gnósticas desse idealismo: a ascensão de um realismo consistentemente fundado no senso comum empirista é um desafio à ideologia gnóstica que justifica o totalitarismo hierárquico desde sempre.

Era preciso portanto separar a ciência e seus resultados de suas consequências éticas e politicas. Em outras palavras: liberdade, igualdade e fraternidade? Nem pensar! Afinal, os homens não são iguais e só os melhores podem ver a realidade as it is. Logo, a esses, o poder. Não é preciso muita atenção para perceber que essa meritocracia é só uma expressão da lei do mais forte.

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