
“Os gatos são animais crepusculares”, ensina a dra. Larissa Rüncos. Eles preferem a meia-luz da aurora e do poente, me diz Larissa. Eu também sou um animal crepuscular.. Mas, graças à Paloma que me ensinou a arte de iluminar a casa, esse gosto refinou-se.
Havia em mim, desde sempre, esse gosto crepuscular que contrastava com a minha ânsia de ver, de embriagar-me com minúcias. Não a perdi, mas aos poucos suavizou-se essa vontade de absolutos. “Todos os caminhos são escuros ou estranhamente luminosos”, escrevi uma vez, cheio de perplexidade.
Hoje percebo que a vida se dá entre crepúsculos, que a emolduram, e se algum vislumbre do Absoluto me foi dado, ele esteve sempre envolto no chiaroscuro da rica e comovente ambiguidade de todas as criaturas: nossa liberdade se funda sobre nossa contingência.