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Reacionarismo e tecnofeudalismo

Continuando meu comentário ao artigo sobre Alasdair MacIntayre publicado por George Scilabba, na The Nation:

The absence of a cosmic order, with its associated telos, or purpose, condemns modern society to widespread anomie, superficiality, and narcissism.

A reforma protestante e sua diluição num incontável número de denominações; o anticlericalismo iluminista, que vai derivar em um materialismo oscilante entre cético e niilista; a própria fragmentação interna da igreja romana – enfim, o que não falta é contexto histórico para essa “desordem cósmica”.

Por outro lado, anomia, superficialidade e narcisismo deixaram de ser privilégios das classes dominantes (para usar uma terminologia que Mr. MacIntyre não rejeitaria, suponho). Com o liberalismo, são hoje um direito, digamos assim, oriundo da igualdade suposta pela modernidade: “Anomia, superficialidade e narcisismo para todos”, poderíamos dizer. Essa vulgarização do privilégio talvez seja o fundamento da nostalgia de um reacionarismo que se quer passar por conservador.

A solução de Mr. MacIntyre é, ao mesmo tempo, anacrônica e pós-moderna:

Anacrônica porque tem o odor característico do heideggerianismo. Pós-moderna porque as novas tecnologias digitais apontam parecem apontar na direção do que (na falta de nome melhor, presumo) está sendo chamado de tecnofeudalismo – para o bem e para o mal.

“What matters at this stage is the construction of local forms of community within which civility and the intellectual and moral life can be sustained through the long dark ages which are already upon us.”

Para o mal, pelas razões expostas por Alvaro Machado no artigo linkado acima. Para o bem, porque essa tecnologia favorece a descentralização e a organização de pequenas comunidades mais ou menos auto-suficientes conectadas em rede – redes de solidariedade e resistência.

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