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A criação do mundo

Para Caetano, que acaba de nascer.

Caetano e Lourenço, foto Lourenço Parente.

Há a carne.
Sempre houve.
Mas no o início é a voz.
E, antes ainda, letras
flutuando no silêncio
a semear na memória
novas formas e lembranças.

Então a voz se faz cor,
ainda insubstancial
variedade de tons,
análogos e contrastantes,
que ao se adensar,
reinventam os olhos
que de ouvi-la, a imagina:
alma antes da carne.

Pois há a carne.
E logo virá,
longo presente,
novelo de histórias,
deslumbrante no silêncio,
encantadora nas palavras.

A carne:
tátil imagem da eternidade,
riso de criança,
altivez de estátua,
montanha e relva,
Úmida sombra
onde a alma errante pensa
encontrar repouso,
súbita unidade.

E então há o corpo,
como há de ser:
tão único, tão certo –
e sabe-se eterno.

2 comentários

  1. emilia duncan

    ahhh amigo que emoção . Mal nasceu e já recebe esse poema inspirado .

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