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Saudade da minha mãe

A Rosa Meditativa, Salvadro Dalí

Hoje faz 10 anos que eu levei minha mãe à festa de Nossa Senhora de Fátima. Ela bem velhinha e com dificuldades para andar, comportou-se com bravura. Devota fiel desde sempre, casou-se na igreja ainda em construção – porque tinha de ser lá. Sua autoconfiança era invejável: movida pela fé e pela vontade alinhadas a ponto de se confundirem.

Ela quis ir. Íamos sempre à igreja, mas em dias e horários mais propícios. Mas era festa e ela cismou de ir. Como me dizia o padre, “Confie no anjo da guarda dela”. Foi o que fiz e lá fomos os dois encarar uma multidão.

Foi incrível. Dona Hilda avançava e a multidão ia se abrindo como o Mar Vermelho e assim minha pequena Moisés logo estava diante da santa. O papel que presumira para mim de feroz guarda-costas revelou-se uma fantasia ridícula: a multidão era feminina e a envolveu com o carinho e o respeito que se deve dar às mães. Ganhamos flores, bençãos, elogios e afagos e saímos de lá com a alma lavada e a alegria de quem cometeu uma travessura.

Escolhi o dia hoje para abrir o Café nas Nuvens ao público por minha mãe, por Nossa Senhora. Creio piamente que o devir é Mulher e o amor incondicional triunfará no Mundo porque em cada um de nós.

9 Comments

  1. Henrique Peixoto

    Vi no que li a pequenina tia Hilda abrindo a multidão com a tenacidade de sua fé e com a doçura de sua voz sempre acolhedora e firme!

    • Oi, Henrique! Que bom ver vc aqui! “Dona Miudinha” era mesmo danada… Vc foi preciso: acolhedora e firme a define à perfeição. Me lembrou uma oração belíssima, do padre Pio, em que ele pede que nele se desenvolva um “amor firme, prático” – que pra mim é o modelo de amor de São José.

  2. emilia duncan

    Tão delicada e precisa sua escrita assim como seus sentimentos . Parabéns Antonio Caetano sua mãe deve estra feliz com esse presente !

    • Oi, Emilia! Mostra pra Helô… Ela é dessa estirpe também.

  3. Luelane Corrêa

    Bela crônica! Uma personagem grandiosa, em poucas linhas.

    • Oi, Luelane! Mostra pra dona Antonia, minha xará de saias. Ela vai gostar… As duas são muito parecidas.

  4. Dorila Alice

    Singeleza (e a alegria de quem confiou no Anjo da Guarda). Muito obrigada, Antonio, por mais uma crônica-reflexão tão precisa.

    • Obrigado, Dorila. “Confia no anjo da guarda” foi o um desses recados que eu carrego pela vida. É bom saber – e confiar – que não estamos sós nem quando estamos sozinhos.

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